Não acho possível estar sempre tão enganada.
Inclusive, não acho que esteja enganada, o problema é que não sei conduzir as situações e sempre levo as coisas pelo caminho errado. Se não fosse meu incrível poder de aproximação e amizade talvez eu fosse melhor para bater um papo ou ter uma conversa mais séria. Não só uma conversa.
É como se, cada vez que algo dá errado, eu recuasse. Me afastasse de uma forma tão desesperada, medrosa e doentia que tudo aquilo que eu havia construído dentro de mim até então implodisse, e só restassem aqui dentro os escombros.
O que sinto é que muitas vezes nem eu mesma dou valor a mim. Pois se desse não iria me desfazer tão despretensiosamente dos meus, vamos dizer, 'sonhos'. A cada vez que desisto deles deixo mais uma vez partir um pedaço de mim que fora construído com afinco, apesar da facilidade.
Essa facilidade é outro problema. Tudo em mim acontece rápido. Está certo que em um corpo tudo são reações químicas, e rápidas. No entanto, tem certaz coisas que não são simples reações em cadeia.
É tão complexo de sintir e deixar, mas tão simples de acontecer - ao menos comigo.
Por isso, eu sinto que minha vida é uma enorme sala de troféus. O bom disso tudo é que sou capaz de me lembrar como ganhei cada um dos prêmios.
1- uma peça, uma fotografia, uma vontade
2- a mão na cintura, opiniões perfeitamente em acordo, convivência e um desejo
3- uma noite, um porre, uma vergonha
4- um sonho em comum, os olhos mais lindos do mundo e sempre o meu sol
5- tudo o que eu não queria, mas adorava, e um saco de dadinhos
6- um beck, um céu estrelado, a timidez e tudo sobre a sua vida
7- uma lembrança que volta, a falta de sentimentos e o amigo
8- um baile perfeito, uma coleção de churrascos e toda satisfação
9- o abraço, as conversas e a amizade
10- a cidade, os problemas, os amigos, os pontos fracos, a dúvida...
Espero que 10 seja meu número de sorte...o 3 já foi um dia, mas virou abóbora depois da meia noite
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