quinta-feira, 31 de julho de 2008

Os espiadores

Os dias em que você está mais quieta são, definitivamente, uma lição de vida.
A mim, basta uma noite mal dormida para um dia de quietude, moleza, poucas palavras e intensa observação.
Dessa vez foi Ela quem me atentou para o detalhe.
"Hoje parece que está todo mundo espiando alguma coisa, que estranho!" (sutil, mas fabulosa, sempre).

Por todos os lados eu via as cabeças.
Para lá, para cá, em frente, esticada, escondida, curiosa, preocupada, atenta....
Milhões de maneiras.
Como é curioso! Se deixassemos de prestar atenção aos sons da cidade e das pessoas que a enfeitam repararíamos um pouco mais nas pequenas atitudes de cada um.
Hoje meu dia passou no mute, e eu reparei em nossos espiadores.
Por toda parte que meu banco de passageiro passava eu reparava em alguém espiando algo.
Espiando de um lado para o outro pra atravessar a rua, ou olhar o trânsito.
Espiando pela porta da loja e pela janela de casa para ver o movimento da rua.
Pelo vidro dos carros para olhar os transeuntes.
A esmo para acelerar a espera de algo.
Espiando a luz bicolor da polícia que estava na rua tumultuando algum estabelecimento comercial e bloqueando a passagem.
O céu, pra analisar o tempo e prever a meteorologia dos próximos dias, ou ainda pedir alguma chuva pro ar seco parar de castigar nossas narinas.
Espiando o caminhar das pessoas, em seu passo lento, apressado, torto, incerto, vacilante, calculado...
Espiando as aparências em sua beleza ou não.
Espiando pela vitrine pra captar qualquer coisa que possa aumentar a fatura do cartão de crédito.

Andando por aquelas ruas elas me pareceram corredores para onde davam as janelas de todos os espiadores.
E como são numerosos.
Se pararmos para pensar, acho que não há movimento da cidade que alguém não capte com o olhar.
Nada escapa aos espiadores.
Esteja certo de que ao menos um deles lhe viu. Seguiu seus passos, vasculhou sua sacola de compras, analisou sua comissão de frente (ou sua retaguarda), cobiçou seu namorado, comentou sobre a poeira no seu carro (quando não escreveu 'lave-me, por favor' no seu vidro traseiro), discutiu seu bom gosto, elogiou seu sorriso, acompanhou seu abaixar para pegar o que caiu no chão...
Qualquer coisa, e todas as coisas, estão sendo vistas pelos espiadores. Eles nunca lhe deixam passar em branco.
E é triste, e intrigante, saber quantas pessoas se interessaram pela sua vida por alguns segundos e você nem tem a oportunidade de conhecê-las minimamente.
Quantos desses espiadores passam do outro lado da calçada da sua vida e você não tem a chance de uma mínima troca de olhares.
E ainda assim, nossos momentos são totalmente preenchidos pelos espiadores que estão na nossa calçada da vida. Por alguns menos, por outros mais. Mas os que estão na sua calçada sempre lhe completam um pouco, lhe ensinam...e lhe espiam, como de costume.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Morde assopra

Ladainha
Picuinha
Vingancinha
Todo dia, dia e noite, noite e dia.

Depois de antes ele assopra
Antes de depois ele morde
Cutuca daqui, provoca dali....
Se chateia, tenta se redimir invisivelmente. Mas eu sei, olho e vejo que por dentro ele sabe que pisou na bola e que nunca me decepconou assim antes.
No fundo ele é uma criança que precisa de atenção, cuidados da mamãe, carinho, compreensão.
Me rodeia pra provocar, tenta interagir e quebrar o gelo, me fazer falar e tenta tirar de mim as palavras que guardo há três dias.
Faz de tudo pra eu saber que ele está arrependido, mas não mudou nada do seu jeito, cotinua o mesmo ranzinza mandão, que faz tudo o que a gente quer mas precisa ser a figura da autoridade.
A voz grave e alta. Me faz sucumbir desde criança....e é ela que me assusta, é dela que eu tenho medo.

A melhor e a pior pessoa do mundo. Como isso é possível?
Já chega! Um mês é mais do que uficiente pra me provar que não aguento mais essa convivencia íntima e longa.
Preciso ir de volta pra casa.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ode ao orgulho

Ligue, ligue, ligue, ligue para mim!
Diga, diga, diga, diga que me ama!
Que eu não vou mais implorar.
Se quer saber, deixa estar.
Digo que não ligo mas não vivo sem você.
Eu falo não me calo.
Tiro sarro só pra ver se eu consigo despertar o seu amor.
Deixa estar.

Foi, sumiu, calou, mentiu
Me viu, sorriu, ponderou, mediu, ameaçou
Deixou, ignorou, observou, remoeu, quis
Resistiu, se virou, esperou, adiou
Se rendeu, desculpou-se, foi legal, se interessou....
E volta a rotina da dúvida
do querer
da convivência
da incerteza
da surpresa
E volta a rotina do não saber se quer...

domingo, 27 de julho de 2008

Infância para descarte

Um dia não usual é repleto de feitos não usuais.
E esse não foi diferente...

Depois da decepção do meu dia eu não tinha mais sorrisos, palavras, vontades, fome, nada.
Restou a mim recolher-me aos meus aposentos e conviver solitariamente com a mediocridade da minha dor e das minhas lágrimas.
E eu não achei isso de todo ruim, era o que eu precisava.
Um tempo pra mim, pros meus pensamentos, pras minhas coisas. Para organizar a minha cabeça.

Nessas horas, nada melhor do que cuidar do que é seu. Unir o útil ao agradável e....limpar o armário!
É, dia de cumprir minha missão de férias...

Foi limpeza geral, todas as partes, prateleiras, gavetas, maleiros, cabides.

No início foi tudo tão bruto, eu rasgava papéis com o mesmo ódio que eu tinha vontade de esfregar na cara dele todas aquelas coisas.
Descontando na minha bagunça a minha raiva.

Mas toda desordem tem um pouco de lembrança, e um armário não seria um armário se não guardasse muito mais do que coisas. Ele estava cheio de lembranças, de fases, fotos, cartas, roupas, brinquedos, e toda a sorte de coisas que uma vida pode acumular.
Eu fui perdendo o ritmo e construí um filme feito em flash-backs naqueles momentos de conviência comigo mesma.

Tanta coisa foi tirada, tanta coisa foi pro lixo, tanta coisa foi jogada fora.
Tanto estudo, tanto esforço, tanta moda, tanta breguice, tanta falta de coordenação, tanta infânica...
Conforme aquelas coisas iam sendo tiradas e postas no lixo, eu sentia que minha infância estava indo pro lixo junto, minha inocência, minha liberdade, minha despreocupação.
Os símbolos que me prendiam ao passado próximo dos meus 10 anos se foram, e deixaram uma sensação de que limpar o armário é liberar o espaço das prateleiras para colocar coisas novas.
Como se agora fosse o momento de deixar tudo pra trás e ocupar aqueles espaços com o que virá de novo, e de sério, responsável, adulto e futuro.

Parecia tão fácil no começo...mas como é difícil se desapegar e seguir em frente.
Mas acho que agora é a hora de olhar pro futuro e encarar de frente meus próximos medos.
Porque eu tenho uma prateleira vazia pra encher com minhas novas conquistas e superações.

Seu tapa na minha cara

E hoje eu chorei....
lágrimas densas,
cheias de pesar, remorso, desespero
repletas de indignação e injustiça
lágrimas negras
que lavaram a face despindo o rosto da maquiagem que o disfarçava
a fortaleza ficou desprotegida
e revelou que, no fundo, nada é inabalável .

As palavras eram rudes e devastadoras
me feriram profundamente, como lâminas que penetram na carne e na alma
rasgaram tudo
o repeito, a admiração
desgastaram o amor
cortaram o coração e tocaram fogo na dignidade
as chamas consumiram o que ali estava
deixaram cinzas de dor
cinzas quentes de desolação
que ardiam
e faziam brotar, no rosto, a prova da guerra que estava do lado de dentro
como se as lágrimas pudessem apagar aquele incêndio.

Hoje meu herói de sete vidas perdeu um pouco dos seus super-poderes
as palavras tiraram sua razão e pintaram um monstro
pintaram com machismo, egoísmo, ingratidão, desrespeito, grosseria....

Eu sucumbi àquela imagem
foi inacreditável, mais do que eu jamais vira
e aquelas lágrimas eram mais dolorosas do que as minhas
eram amargas
como quem diz que tudo o que foi feito atá então não passou de uma vida de erros
de arrependimentoss
de concessões de si a troco de nada.

Eu jamais pensei que fosse me sentir assim
mas as pessoas sempre podem te surpreender.....

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Revivendo uma vergonha esquecida

E mais um dia começou. Tarde como sempre.
Depois da rotina costumeira, uma ou outra coisa que fugiu da normalidade diária, nada de realmente notável.
Mas sempre chega a noite para apimentar o dia (sem esquecer das duas taças de champanhe).

Uma roda de amigas conversando sobre as banalidades de todo dia, tomando sopa (sim, era sopa) e rindo muito.
- Vamos pro churrasco? Vou levar a Manca(maldade!) dar uma volta....
- Vamos!

Sempre tem alguém pra ter a idéia errada da noite.

Um antro de aleatórios, e eu me sentia bem com meus poucos muito conhecidos.
Cinco minutos de sossego. BOOM!
Parecia que eu estava sentindo que alguma coisa estava por vir. Eu deveria aprender que minha intuição nunca falha.
Dito e feito. Welcome to Bahia!

Ele chegou. Quando o vi senti-m corar no mesmo instante, minha sorte foi meu círculo de pessoas estar longe, assim eu tive um tempo para me recompor até ue ele se aproximasse (importante notar que todo esse desespero se manteve interno, e só está sendo compartilhado com mais alguém agora).

- Oi. (O sorriso, o olhar: eu sei o que você fez!)
- Oi, tudo bem? (O sorriso, o olhar: eu me envergonho disso todos os dias que me lembro!)
- Tudo bem...

(ainda que a situação foi suficientemente dinâmica, nem me pareceu que ficou um silêncio gigante e que a cena congelou só para me envergonhar)

É inacreditável, porque isso ainda acontece?!
Eu queria saber o motivo pelo qual eu me icomodo com coisas das quais, na verdade (infelizmente), nem me lembro.
Talvez eu saiba o que me incomoda. E certamene não é a pessoa, porque eu reajo bem a essas situações.
O que me tortura é a falta de lembranças e a maneira como eu disse coisas muito erradas no momento errado.
Aquele dia eu me senti a última pessoa do mudo, aliás, por duas vezes.
Primeiro por ter feito o que eu fiz da menira como me contaram. E depois, por ter falado o que eu falei em sã consciência, apesar de sobre pressão e vergonha.
Mas isso às vezes acontece não é? Eu deveria entender e me dar um pouco de sossego.
Mas não, parece que essa não lembrança é a mais fresca das minhas memórias. Aquela que resurge nos momentos de reflexão pré-adormecimento, aquela imagem que se constrói na mente em qualquer conversa mais particular, aquele dia que me dá medo quando penso no que disse, no que fiz e no que sou capaz de fazer...

(Márcia me infernizou o suficiente para eu nunca mais me esquecer daquilo que eu nem se quer me lembro. Sabe aquelas reconstruções de simulação criminal? É, foi isso que ela fez!)

O que eu sei é que preciso parar de remoer tudo isso, porque me icomoda, me tortura e, pior de tudo, me envergonha.
Acho que há uma única maneira de me fazer sentir melhor, mesmo que não menos envergonhada:

- Eu queria dizer que não lembro de absolutamente nada do que ocorreu naquela noite, apenas do que se passou com a gente, e de forma muito vaga. Mas me contaram os detalhes do que aconteceu, e desde então eu me sinto absurdamente constrangida toda vez que você está por perto. Ainda mais depois do episódio do ônibus, em que eu me expressei muito mal, e ficou uma situação chatíssima. Queria pedir desculpas por qualquer coisa, e dizer que eu queria apagar aquela noite pela situação em que eu me encontrava, mas não pela parte que envolve você. Enfim, estou te dizendo isso porque eu pecisava explicar a situação há muito tempo pra eu me sentir melhor, porque toda vez eu fico imaginando o que passa pela sua cabeça quando você me vê. Desculpa de novo...
- Relaxa! Isso acontece com todo mundo, tudo bem que você tava mais engraçada do que o normal...hahaha, brincadeira...mas faz parte. Desencana!...nem acredito que você ainda se preocupa com isso...Fica de boa!...

[ele sorri, ela fica encabulada, a situação fica constrangedora por alguns instantes, e então eles se beijam e vivem felizes para sempre...]

Ai, ai...como se tudo fosse um Conto de Fadas.............................................................................

terça-feira, 22 de julho de 2008

Fugindo de mim

Vai pra um mês que eu não ando querendo me encontrar com a minha consciência.

Tudo isso porque vai pra um mês que certas dúvidas andam distantes.

Mas certas conversas geram certos assuntos que levam a certas discussões e acabam em certos pensamentos.



Queria entender porque nós nos negamos a acreditar naquilo que nossa consciência insistie em esfregar na nossa cara?
É tão obvio!
Mas essa droga de insegurança parece um apagador automático. O que a consciência escreve a insegurança apaga.

Eu não aceito a possibilidade de certas coisas serem verdades, pelo simples fato de não acreditar na minha capacidade de realizar tais feitos.
Mas no fundo, eu tenho certeza de que pelo menos de uns pedaços daquele conto de fadas eu sou a protagonista.
Eu sou a heroína tola, que acredita nas palavras pouco doces mas provocativas, usa de cada pequena coisa para alimentar sua fogueira de esperanças e faz dessa chama um incentivo pra ser alguém melhor, por mais que seu príncipe encantado não mereça.

E eu estou assim, em eterna guerra com a minha consciência, talvez isso seja exclusivamente um erro meu.
Ou, pode ser que não seja só minha culpa, porque a corda a que me agarrei foi jogada por alguém, e isso deve significar algo.
Nós, mulheres, não somos tão tolas a ponto de inventar situações por puro prazer e realização pessoal. Nossa conciência nos ajuda a construir fantasias e sonhos apenas apoiados em tudo aquilo que um dia nos foi realmente dito.

Talvez esteja ai a explixação para as românticas e sonhadoras: acreditar na própria consciência.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Acelerando a vida

Dá a partida, acende os faróis, engata primeira, solta o freio de mão....
E vai,
Como se andar pra frente fosse sua única opção.

Semáforo, lombadas, pare, veículos, pedestres, postes, luzes...
E vai,
Como se dirigindo passasse pelos problemas que não se resolvem andando.

20, 40, 60, 80, 100...
O carro fura as ruas como uma flecha em campo aberto.
São 3 da manhã.
Corre do medo pra chegar em casa, ofegante da pressa de estacionar.
Mas corre pro vento te dar vida, pro ar te matar a saudade, pros pensamentos estarem livres pra ir onde quiserem, pros cabelos balançarem e lembrar que você está viva.

Atravessa a cidade e sua melancolia madrugadora,
Avança o semáforo vermelho cheia de confiança,
Absorve o orvalho que mata a sede,
Entrega as caronas e cumpre o itinerário do dia.
Os olhos nos espelhos, o pé no acelerador, as mãos no volantes, os ouvidos no ambiente...
e os pensamentos a vagar,
felizes,
estourando feito fogos de artifício sobre a sua cabeça, te fazendo lembrar de tudo e pensar, inclusive, no que não deve.

A motorista é minha segunda personalidade, mais confiante para vencer os obstáculos, menos medrosa para andar por ai e fazer o que deve, cheia de atitude, e sempre no caminho certo.

sábado, 19 de julho de 2008

Menina do coração quente

hoje estou de cabeça pra baixo
minha cabeça esta toda confusa
a ambição se tornou indecisa
tudo está me deixando assustada

hoje estou de cabeça pra baixo
pra baixo
minha cabeça esta toda confusa

confusa
a ambição se tornou indecisa

indecisa
tudo está me deixando assustada

assustada

hoje estou de cabeça pra baixo
pra baixo não é o caminho certo

minha cabeça esta toda confusa
confusa é quem tem que ordenar a idéias
a ambição se tornou indecisa
indecisa precisa tomar uma atitude

tudo está me deixando assustada
assustada é essa menina na sua frente, que passa por tudo tentando ser gente, que finge pra todos que é inteligente, que detesta o gosto da pasta de dente

Jugigliolândia

no meu mundo....

dois mais dois seriam cinco
pais não seriam sarcásticos nem cínicos
pessoas diriam coisas sinceras
estrelas seriam vagalumes
sorvete seria remédio
secador seria arma de fogo
batom vermelho seria manteiga de cacau
cuecas seriam femininas
erva cidreira não cortaria a mão
salto alto seria obrigatório
ser jornalista seria fácil
beijo teria gosto de morango
dinheiro não seria importante
água seria mais gostoso
telefone não existiria
acordar cedo seria fácil
mastigar de boca aberta daria cadeia
carros seriam de massinha
poker seria um jogo de sorte
pés seriam bonitos
pensamentos seriam tolos
homens seriam perfeitos
mulheres seriam fáceis

...nesse meu mundo só meu

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Pão e circus

Começa a nova temporada do circo na cidade.
Os animais, as pessoas, a lona colorida...os palhaços!
Sempre misteriosos e um pouco assustadores, mas o que seria do circo sem os palhaços, não é mesmo?
Eles que fazem as crianças rirem, eles que distraem a platéia enquanto se arruma os bastidores, eles que fazem qualquer tragédia virar uma piada e que mascaram os erros para que não pareçam erros.

Os palhaços são louváveis.
Mas são tristes, mutas vezes...
Por traz do sorriso vermelho, amplo e expressivo, há alguém que fica triste.
O erro das pessoas é não ver que os palhaços não são sempre heróis, e mesmo que fossem, eles choram, eles se chateiam, eles sentem saudades, eles se importam.
Há coisas muito além do sorriso estampado na face.

Ultimamente tenho me sentido um palhaço, por continuar tentando fingir que as coisas são uma piada, que no fundo ela estava errada, que as pessoas mudam...
Não, palhaços são sempre palhaços, parece que a ela jamais vai fazer por merecer a AMIGA que está por traz da maquiagem.
Afinal, é mais fácil rir da cara dos palhaços...

So, let's go circus!

Lembranças de um passado não tão remoto

When a girl is quiet, millions of things are running in her mind
When a girl is not arguing, she is thinking deeply
When a girl looks at you with eyes full of questions, she is wondering how long you will be around
When a girl aswers "I'm fine" after a few seconds, she is not at all fine
When a girl stares at you, she is wondering why you are lying
When a girl lays on your chest, she is wishing for you to be hers forever
When a girl wants to see you every day, she wants to be pampered
When a girl says I love you, she means it
When a gilr says, "I miss you", no one in this world can miss you more than that!


*

naked

Poça de coisa nenhuma

Olha a poça! Poça de lama, poça de água, poça de lágrima.
É, as aparências enganam, os vidros não são tão transparentes quanto parecem ser, os reflexos são distorcidos.
A nesga de luz ilumina o cômodo inteiro. A um canto, uma caixa cheia dos vestigios da civilização. Em outro, as portas ocultam pilhas e pilhas de trapos roupas e sombras. A música de fundo soa melancólica e o alguém no outro canto olhando-se refletido, buscando a imagem certa.
Cresce a poça.....e junto com ela cresce e cresce e cresce. Parace um caminho inútil na busca pela visão que mate o que mata o alguém.
A imagem nebulosa,embaçada...
sem porque nem o que...
parece não querer ser vista...
parece se esconder de sua própria covardia...
parece crescer com a tristeza e ansiedade...
parece alimentar as esperanças.

Mas no fundo, é apenas uma poça de saudade

5..2..6..2..3..1..5..3..4..1..4

5..2..6..2..3..1..5..3..4..1..4

uma imitação barata da natureza,
um jogo de tabuleiro,
passo a passo rumo ao objetivo.
ou ainda como um quebra cabeça,
cada peça uma nova história.
assim, às vezes perdemos o jogo, às vezes os jogadores desistem, às vezes perdemos as peças, às vezes as peças não encaixam.
...mas nem por isso deixa de ser um jogo: um eterno perde e ganha.
os tabuleiros têm bifurcações,
as peças encaixam em mais de um lugar
...mas nem por isso deixa de ser um jogo: sorte ou revés.
talvez me sinta como um pininho tombado ou uma peça mal cortada que não consegue se encaixar, a personificação da incerteza
...olhar e não ver, ver sem olhar...
as cartas nos enganam
a ilusão de óptica aumenta os obstáculos
quem é o criminoso?
talvez todos sejam cúmplices, talvez uns sejam falsos com os outros, talvez ninguém nunca tenha sido totalmente sincero.
por trás de tudo sempre tem um jogador, um estrategista, que muitas vezes não sabe falar ou que não se faz entender
mas que, na verdade, gostaria que um passo, um ato, um olhar, uma cartada, fossem suficientes para ganhar o jogo

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Fada do Dente

Cada dente que você põe em baixo do travesseiro equivale a um pedido.
Isso me lembra um pouco o "Fantástico mundo de Bob", só que aquela fada do dente me dava arrepios, ela era completamente horrível....

Será que vale colocar dente do siso em baixo do travesseiro?
Dizem que SISO significa JUÍZO, e que quando nasce o dente do siso é a hora em que você se torna alguém responsável, uma pessoa ajuizada.
Não bastasse um, eu tirei os 4 dentes do siso. Assim, devo entender, que minha vida vai ser daqui pra frente uma eterna festa, no more responsabilities. =D

Mas, voltando a questão central, será que se eu colocasse os dentes do siso em baixo do travesseiro a fada do dente realizaria 4 desejos?
Ou será que, como os dentes são do siso, inverteria o poder da superstição, como se a magia só valesse pra dentes de leite. Aconteceriam quatro coisas horríveis, ou eu teria quatro anos de azar, ou cada dente ia se transformar em alguma coisa muito macabra sob o meu travesseiro.
Pois é, apenas superstições...

Em todo caso, gostaria de ter meus dentes em mãos, quem sabe eu poderia fazer um pingente e andar com ele(s) no pescoço como se fosse algum troféu ter tirado todos os quatro sisos em uma tacada só, se bem que os únicos dentes que eu já vi alguém usar pendurado no pescoço é dente de tubarão. Ai, tô fora!

Mas, tendo em mente a situação que os dentes estavam quando eu sai do dentista, e pensando também em como aquela imagem me dava náuseas....Ai, tô fora! [2]...melhor eu esquecer que um dia tive sisos, assim pelo menos eu posso desfrutar da minha liberdade de quem não tem mais os dentes do juízo.

Pensando agora, bem que a Fada do Dente poderia realizar desejos muito especiais pra quem tira os dentes do siso, porque olha....fui serrada, brocada, empurrada, costurada, perfurada, minha boca parecia uma carpintaria (comentário muito/completamente desnecessário)!

Ah...outra coisa que me entristeceu ao pensar nos meus siso.
Eu tinha os 4 dentes, perfeitamente posicionados e localizados. Não sou nem de longe uma evolução da espécie, os dentes não eram nem ao menos inclusos, não posso nem falar que minha genética teve alguma boa vontade em tentar parecer evoluída. Sorte daqueles que podem se considerar seres do futuro, pelo menos não teriam que ir pra faca e arrancar seus dentinhos.
Melodramas a parte, tirar os sisos até é divertido, estou sendo muito paparicada em casa, a pesar de não poder comer nada, eu vivo de milk shake e passo o dia inteiro sob as cobertas sem ter que dar satisfação alguma para a minha preguiça.

Chegando ao resultado final da arrancação de dentes, eu to no 4X0.
Totalmente banguelicious!

domingo, 6 de julho de 2008

Metalinguagem

Para tudo há um momento em que se deve parar e refletir.
Ultimamente tenho analisado tudo o que eu escrevi neste blog e percebi algumas coisas,....eu diria,....bizarras!
Primeiramente, me dei conta de que esse blog me faz parecer a pessoa mais sofredora, emotiva e injustiçada da face da Terra. e isso não corresponde à realidade, só reafirma a qualidade do blog de "válvula de escape" para alguns pequenos problemas".
Segundo, eu tenho um sério problema, uma mania intensamente irritante de fazer metáforas, comparações e analogias em quase todos os meus textos.

Vejam se não é incrível! Jamais imaginei que metáforas fossem coisas tão facilmente construíveis. Quando vemos metáforas e comparações naquelas poesias e textos que estudamos na escola, eles parecem tão sérios e poéticos e inteligentes...
É nessas horas que eu vejo como se banalizam as coisas. Fazer uma metáfora é a mesma coisa que se construir uma frase comum, com o detalhe de ser necessário uma pequena dose de criatividade para procurar alguma coisa muito absurda com o que se comparar a outra.
Mas fora isso, é muito fácil. E você se sente bem em fazer, porque a hora que percebe que está lá, pronto, escrito, comparado....já foi, sai sem perceber, isso me soa muito algo de pessoas geniais ou extremamente talentosas.
Não, engano meu. Depois de achar que escrever era uma questão de dom, de talento. Cheguei à conclusão que escrever é mera questão de prática.
E como é divertido....assaz aprazível eu diria...
Só devemos juntar meia dúzia de palavras, colocá-las em uma ordem coerente, acrescentar uma pitada de criatividade e uma gota de boa vontade. Está feito. Nasceu o filho que você não precisou de mais de umas dezenas de minutos pra parir.

Mas, ainda assim, não quero desmerecer, de maneira alguma (e issonão foi irônico), a incrível habilidade daqueles que são escritores notáveis por ai. Eles tiveram sorte, e novidades pra contar pra todo mundo.
Pensando por esse lado, olha como tudo pode ser reduzido a coisas banais.
Somos todos um bando de fofoqueiros, só se torna famoso algo que é novo, e fica famoso porque as pessoas falam sobre essa coisa.

Nossa, falando assim, nada poderia parecer mais desclassificado do que o ato de escrever. Não foi isso que eu quis dizer.

Aliás, esqueci de listar outra das minhas manias: começar um texto e ele refletir exatamente o meu fluxo de pensamento.
Notem como esses posts são uma progressão de idéias que vem em um fluxo totalmente desigual. Começo falando de uma coisa, pego um gancho aqui, faço uma digressão ali, e acabo com um assunto quase sempre MUITO diferente da idéia original.
Mas não importa....afinal....escrever é apenas relaxar e deixar as idéias fluírem...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Pensamentos silenciosos

Eu gostaria de ter o poder de ouvir o pensamento dos outros.
Naquele filme que assisti uma vez, era muito divertido, apesar de constrangedor, saber o que as pessoas pensavam...
Se eu tivesse o poder seletivo de sabe o que passa pela cabeça das pessoas, provavelmente, eu facilitaria muito minha vida. Não precisaria ouvir o tempo todo o turbilhão mental de cada um, queria ter um botão de ON/OFF para a hora que quisesse colocar a máquina pra funcionar, e um isolador sonoro para ouvir um de cada vez.
Agora , seria enlouquecedor escutar coisas que você não imagina e no fundo nem quer saber. Mas, por outro lado, imagine o quão esclarecedor seria o que algumas pessoas poderiam te revelar!

Ouvir pensamentos é um ato de relativa invasão de privacidade, porque se tem algo que podemos chamar de particular são nossos bons e fiéis pensamentos. Eles nunca contam aquilo que passa por nossas cabeças, guardam nossos segredos. Esse é o melhor amigo do homem!
De outro lado, temos a boca, essa sim pode por tudo a perder. Um segundo de descuido e pronto, a fofoqueira já colocou pra fora tudo aquilo que os pensamentos se empenharam em guardar.
Uma parceria estranha não?
Se fossemos analisar bem infantil e maniqueistamente, os pensamentos seriam do bem e a boca seria do mal.
Só que, como seríamos infelizes sem a adrenalina das palavras proibidas que escapam, ou sem os pensamentos que esquecem, sem as palavras que a boca diz por acaso e faz as pessoas felizes, sem os pensamentos maldosos que podemos deixar pra lá, sem as conclusões torpes que tiramos sobre as coisas e sobre as pessoas.

Acho que somos muitos felizes de poder regular entre a ousadia dos nossos lábios e a cautela dos nossos pensamentos, mas pobre daqueles que nunca conseguiram o equilíbrio.
Posso dizer que apenas agora estou chegando ao meio termo das duas coisas, e não acho que esteja atrasada. É um longo caminho até desenvolvermos sensibilidade para saber em qual ato entra a boca e em qual cena atuam os pensamentos.
Ainda assim, algumas pessoas são mais pensamentos e outras são mais boca, não há mal nenhum nisso. Só precisamos cuidar para que boca e pensamento não se intimidem, cada um precisa saber o seu lugar, e esse é um exercício diário de auto-domínio.

De qualquer maneira, eu ainda sou mais pensamentos, e isso me amedronta, se pensar que algumas pessoas podem acessá-los. O que me tranqüiliza é entender que o poder de ouvi-los não é de ninguém. Por outro lado, LER pensamentos é muito simples, tão fácil quanto decifrar as palavras, só requer um pouco mais de atenção. Sorte a minha que as pessoas são muito desatentas. Eu vou estar em sérios apuros o dia que alguém conseguir desbravá-los.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Era uma vez amigo

As coisas andam um tanto quanto bagunçadas ultimamente.
Não há mais rotina, por mais que isso seja uma coisa boa, eu sinto falta de ver aquelas pessoas naqueles dias, e de fazer aquelas coisas naquelas lugares, e de falar daqueles assuntos naquelas situações.
Eu sinto falta daqueles amigos que um dia eu confiei, que um dia eu conversei, que um dia sentaram ao meu lado pra me ouvir ou pra desabafar.
Cada dia eu entendo menos o motivo de toda essa estranheza. E me machuca, porque eu me sinto culpada por uma atitude involuntária e anônima.

Todo esse turbilhão de coisas chegou a um ponto que nem olhar nos olhos nós somos capazes.
Chega o silêncio e ninguém se empenha em quebrar a quietude.
Fora de um círculo de conversa não somos nada, nem meros colegas pra falar do tempo.
O que antes era um ânsia de vontades de falar, de ouvir, de rir, de contar, agora converteu-se no mais puro e doloroso silêncio. Sepulcral.

Todos os dias eu ensaio uma reação, e espero uma explicação plausível pra maré que te levou pra longe de mim.
Cada dia eu me corrouo de ciúmes das palavras que você troca com os outros, porque gostaria que elas fossem um pouco minhas.
Palavras não foram suficientes, saudade já não me basta nem me completa.
Por mais doloroso que fosse, eu tenho o direito de saber o que te aconteceu, qual foi o crime que eu cometi.
Mas os julgamentos são sempre errados, as atitudes precipitadas e as injustiças cometidas.
Preciso aprender a conviver com a sua distância, todos os dias têm sido difíceis na companhia da sua ausência.
É uma lacuna que eu acreditei ter preenchido um dia, mas me enganei, porque buracos são sempre buracos. Por mais que você jogue terra e tente tampar, a emenda nunca fica perfeita, é sempre algo artificial, e chance de a obra ruir é cada dia maior, uma instabilidade constante.

Nosso buraco já cedeu e meu castelo ruiu, você escorregou com a areia pro fundo, e, pior do que isso, é ver que você não faz nenhum esforço pra caminhar até o topo mais uma vez.
Isso muito me espanta, você nunca fica por baixo.
A única explicação que vejo é medo: medo de altura, medo da queda.