domingo, 27 de julho de 2008

Infância para descarte

Um dia não usual é repleto de feitos não usuais.
E esse não foi diferente...

Depois da decepção do meu dia eu não tinha mais sorrisos, palavras, vontades, fome, nada.
Restou a mim recolher-me aos meus aposentos e conviver solitariamente com a mediocridade da minha dor e das minhas lágrimas.
E eu não achei isso de todo ruim, era o que eu precisava.
Um tempo pra mim, pros meus pensamentos, pras minhas coisas. Para organizar a minha cabeça.

Nessas horas, nada melhor do que cuidar do que é seu. Unir o útil ao agradável e....limpar o armário!
É, dia de cumprir minha missão de férias...

Foi limpeza geral, todas as partes, prateleiras, gavetas, maleiros, cabides.

No início foi tudo tão bruto, eu rasgava papéis com o mesmo ódio que eu tinha vontade de esfregar na cara dele todas aquelas coisas.
Descontando na minha bagunça a minha raiva.

Mas toda desordem tem um pouco de lembrança, e um armário não seria um armário se não guardasse muito mais do que coisas. Ele estava cheio de lembranças, de fases, fotos, cartas, roupas, brinquedos, e toda a sorte de coisas que uma vida pode acumular.
Eu fui perdendo o ritmo e construí um filme feito em flash-backs naqueles momentos de conviência comigo mesma.

Tanta coisa foi tirada, tanta coisa foi pro lixo, tanta coisa foi jogada fora.
Tanto estudo, tanto esforço, tanta moda, tanta breguice, tanta falta de coordenação, tanta infânica...
Conforme aquelas coisas iam sendo tiradas e postas no lixo, eu sentia que minha infância estava indo pro lixo junto, minha inocência, minha liberdade, minha despreocupação.
Os símbolos que me prendiam ao passado próximo dos meus 10 anos se foram, e deixaram uma sensação de que limpar o armário é liberar o espaço das prateleiras para colocar coisas novas.
Como se agora fosse o momento de deixar tudo pra trás e ocupar aqueles espaços com o que virá de novo, e de sério, responsável, adulto e futuro.

Parecia tão fácil no começo...mas como é difícil se desapegar e seguir em frente.
Mas acho que agora é a hora de olhar pro futuro e encarar de frente meus próximos medos.
Porque eu tenho uma prateleira vazia pra encher com minhas novas conquistas e superações.

Um comentário:

Paula Bastos disse...

Adorei, fofolete! É isso mesmo. Preencha sua prateleira com as coisas boas que virão. Livre-se do que não te faz mais bem e focalize nas coisas boas.
Acho que essas férias nos fizeram crescer muito e espero que a gente volte muito melhor.
Tô esperando você chegar sim! Essa semana vou lá ajeitar tudo :)
Enquanto isso...vou morrendo de saudades!!!
Beijos