Eu gostaria de ter o poder de ouvir o pensamento dos outros.
Naquele filme que assisti uma vez, era muito divertido, apesar de constrangedor, saber o que as pessoas pensavam...
Se eu tivesse o poder seletivo de sabe o que passa pela cabeça das pessoas, provavelmente, eu facilitaria muito minha vida. Não precisaria ouvir o tempo todo o turbilhão mental de cada um, queria ter um botão de ON/OFF para a hora que quisesse colocar a máquina pra funcionar, e um isolador sonoro para ouvir um de cada vez.
Agora , seria enlouquecedor escutar coisas que você não imagina e no fundo nem quer saber. Mas, por outro lado, imagine o quão esclarecedor seria o que algumas pessoas poderiam te revelar!
Ouvir pensamentos é um ato de relativa invasão de privacidade, porque se tem algo que podemos chamar de particular são nossos bons e fiéis pensamentos. Eles nunca contam aquilo que passa por nossas cabeças, guardam nossos segredos. Esse é o melhor amigo do homem!
De outro lado, temos a boca, essa sim pode por tudo a perder. Um segundo de descuido e pronto, a fofoqueira já colocou pra fora tudo aquilo que os pensamentos se empenharam em guardar.
Uma parceria estranha não?
Se fossemos analisar bem infantil e maniqueistamente, os pensamentos seriam do bem e a boca seria do mal.
Só que, como seríamos infelizes sem a adrenalina das palavras proibidas que escapam, ou sem os pensamentos que esquecem, sem as palavras que a boca diz por acaso e faz as pessoas felizes, sem os pensamentos maldosos que podemos deixar pra lá, sem as conclusões torpes que tiramos sobre as coisas e sobre as pessoas.
Acho que somos muitos felizes de poder regular entre a ousadia dos nossos lábios e a cautela dos nossos pensamentos, mas pobre daqueles que nunca conseguiram o equilíbrio.
Posso dizer que apenas agora estou chegando ao meio termo das duas coisas, e não acho que esteja atrasada. É um longo caminho até desenvolvermos sensibilidade para saber em qual ato entra a boca e em qual cena atuam os pensamentos.
Ainda assim, algumas pessoas são mais pensamentos e outras são mais boca, não há mal nenhum nisso. Só precisamos cuidar para que boca e pensamento não se intimidem, cada um precisa saber o seu lugar, e esse é um exercício diário de auto-domínio.
De qualquer maneira, eu ainda sou mais pensamentos, e isso me amedronta, se pensar que algumas pessoas podem acessá-los. O que me tranqüiliza é entender que o poder de ouvi-los não é de ninguém. Por outro lado, LER pensamentos é muito simples, tão fácil quanto decifrar as palavras, só requer um pouco mais de atenção. Sorte a minha que as pessoas são muito desatentas. Eu vou estar em sérios apuros o dia que alguém conseguir desbravá-los.
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Um comentário:
Nossa, muito lindo isso que vc escreveu. Me fez pensar em várias coisas...
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